60 anos da dupla hélice

A molécula mais famosa do mundo “completa hoje” 60 anos. No dia 25 de abril de 1953, era publicada na Nature uma pequena carta de Watson e Crick, em que eles sugeriam “uma nova estrutura para o sal do ácido desoxirribonucleico”. A tal estrutura era de uma molécula composta por 2 fitas que se espiralavam entre si, e que iriam girar o mundo da biologia para sempre.

O DNA é um código que contém toda a informação (em forma de genes) para criar e gerenciar uma vida. Um código de 3 bilhões de unidades de comprimento (em humanos) que começou a ser quebrado em 1990 com o Projeto Genoma, o primeiro grande projeto científico de colaboração multinacional que custaria o equivalente a 6 missões espaciais, e que na época (só 23 anos atrás) era considerado surreal, como “sugerir a um balonista da era vitoriana que tentássemos colocar um homem na lua”, segundo palavras de Watson.

O Genoma mudou a forma como a pesquisa em ciências biológicas é feita. Mas embora a genômica tenha melhorado o diagnóstico e tratamento em alguns casos, ainda hoje o DNA guarda muitos segredos. Ainda buscamos entender os mecanismos causadores de doenças, como a evolução ocorre no nível molecular e como nossos genes governam nosso desenvolvimento e envelhecimento.

O futurista Ray Kurzweil coloca a genética como um dos 3 conhecimentos que dominarão o mundo no futuro, junto com a nanotecnologia e a informática. As possibilidades são enormes e vão desde o diagnóstico e cura instantâneos de doenças, temas polêmicos como o melhoramento genético de nossa espécie até a fusão da genética com a eletrônica, criando-se chips que usam o DNA como memória. E o que mais? Ao que você acha que o conhecimento em genética vai nos levar no futuro?

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Reunião de bioestatística I

Hoje tivemos a primeira reunião de bioestatística do NGHM. Abordamos conceitos básicos como amplitude interquartil, variância, desvio padrão, erro padrão e intervalo de confiança. A apresentação e o R script estão disponíveis aqui.

A reunião tem como objetivo reforçar o conhecimento dos alunos da genética em conceitos básicos de estatística, bem como a compreensão dos testes mais aplicados em pesquisas científicas da área.

A próxima reunião ainda precisa de um voluntário para realizar a apresentação. Alguns tópicos sugeridos são:

1. População e amostras, tipos de variáveis;
2. Correlação e Regressão;
3. Análise de variância (ANOVA);
4. Tipos de distribuição (normal, uniforme, binomial…);
5. Test T: uma amostra, diferença entre duas amostras, distribuição t;
6. Teste do chi-quadrado;
7. Regressão múltipla e logistica;
8. Noções de probabilidade;
9. Odds Ratio;

Sugestão de material:

Livro de estatística OpenIntro Statistics

Vídeos no canal youtube.com/khanacademy 

Os alunos são incentivados a escolherem um tema que tem vontade de aprender ou que tem necessidade aplicar em seu projeto. Há total liberdade quanto ao formato de apresentação.

Chegando agora ao laboratório?

Ser um novato no laboratório não é uma situação das mais confortáveis, especialmente se for a primeira iniciação científica de sua vida.

Conseguir entrar no NGHM não foi tão fácil pra mim. Para o Dr. Iúri aceitar conversar sobre estágio, tive que tirar nota 10 na prova dele, uma das disciplinas mais intimidadoras da biologia naqueles tempos. Mais difícil ainda foi ter conseguido permanecer. Durante minhas primeiras semanas, quando ainda estava naquela fase de acompanhar as atividades dos alunos mais experientes, fui encarregado de fazer a primeira reunião de laboratório do ano de 2007. Eu teria que apresentar uma revisão de 16 páginas que acabara de sair na Nature Reviews Cancer sobre GPCRs (G protein-coupled receptors). Com toda a dificuldade no inglês e com os termos técnicos, lá fui eu apresentar.

Na verdade, eu não achava nada difícil na época, pois era algo que eu gostava e estava muito curioso pra saber mais sobre genética.

A apresentação? Claro que foi quase um desastre. Mas no fim, meu orientador disse que foi bom, que “quando aparece um aluno querendo trabalhar com câncer, eu dou logo uma revisão dessa… se ele voltar ao lab no dia seguinte, é porque ele quer mesmo”. Mas o importante é que, quando ele sugeriu que eu apresentasse, eu topei na hora, não me intimidei.

Depois do início complicado e nebuloso, sem ideia ainda do que exatamente fazer ali, chega uma fase mais agradável, em que você até descobre, além de um grupo de colegas, um grupo de amigos. E atividades extra-laboratório, como um almoço, um churrasco, um retiro de laboratório (quem sabe?), contribuem muito para essa integração do grupo de trabalho e inserção dos recém-chegados.

Se eu tivesse que dar conselhos para um iniciante, bom eu teria uma lista:

1. Não se intimide, não se esconda, não omita suas opiniões. Ao invés disso, se disponha a realizar e organizar tarefas, seja um integrante ativo do grupo.

2. Sente na mesa do seu colega e peça opinião sobre uma ideia que você teve. Discuta, debata. Esteja presente na mesa e na caixa de emails de seu orientador, mas sem excessos.

3. Não se limite apenas ao seu projeto, principalmente se estiver em um laboratório que já tenha limitações. Muitos alunos se fecham no pequeno universo de seu projeto de pesquisa e não enxergam o ‘big picture’ da coisa.

Bom, e você? Tem alguma história sobre o seu início no lab?