Chegando agora ao laboratório?

Ser um novato no laboratório não é uma situação das mais confortáveis, especialmente se for a primeira iniciação científica de sua vida.

Conseguir entrar no NGHM não foi tão fácil pra mim. Para o Dr. Iúri aceitar conversar sobre estágio, tive que tirar nota 10 na prova dele, uma das disciplinas mais intimidadoras da biologia naqueles tempos. Mais difícil ainda foi ter conseguido permanecer. Durante minhas primeiras semanas, quando ainda estava naquela fase de acompanhar as atividades dos alunos mais experientes, fui encarregado de fazer a primeira reunião de laboratório do ano de 2007. Eu teria que apresentar uma revisão de 16 páginas que acabara de sair na Nature Reviews Cancer sobre GPCRs (G protein-coupled receptors). Com toda a dificuldade no inglês e com os termos técnicos, lá fui eu apresentar.

Na verdade, eu não achava nada difícil na época, pois era algo que eu gostava e estava muito curioso pra saber mais sobre genética.

A apresentação? Claro que foi quase um desastre. Mas no fim, meu orientador disse que foi bom, que “quando aparece um aluno querendo trabalhar com câncer, eu dou logo uma revisão dessa… se ele voltar ao lab no dia seguinte, é porque ele quer mesmo”. Mas o importante é que, quando ele sugeriu que eu apresentasse, eu topei na hora, não me intimidei.

Depois do início complicado e nebuloso, sem ideia ainda do que exatamente fazer ali, chega uma fase mais agradável, em que você até descobre, além de um grupo de colegas, um grupo de amigos. E atividades extra-laboratório, como um almoço, um churrasco, um retiro de laboratório (quem sabe?), contribuem muito para essa integração do grupo de trabalho e inserção dos recém-chegados.

Se eu tivesse que dar conselhos para um iniciante, bom eu teria uma lista:

1. Não se intimide, não se esconda, não omita suas opiniões. Ao invés disso, se disponha a realizar e organizar tarefas, seja um integrante ativo do grupo.

2. Sente na mesa do seu colega e peça opinião sobre uma ideia que você teve. Discuta, debata. Esteja presente na mesa e na caixa de emails de seu orientador, mas sem excessos.

3. Não se limite apenas ao seu projeto, principalmente se estiver em um laboratório que já tenha limitações. Muitos alunos se fecham no pequeno universo de seu projeto de pesquisa e não enxergam o ‘big picture’ da coisa.

Bom, e você? Tem alguma história sobre o seu início no lab?

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